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Wednesday, January 24, 2024

QUANDO O MAL ESPREITA (Cuando Acecha la Maldad/When Evil Lurks) de Demián Rugna

A História: Numa pequena vila, dois irmãos descobrem que um homem infectado por um demónio estás prestas a dar à luz o Mal. A sua tentativa de se verem livre do tal homem corre muito mal e é o caos.

O Elenco: Um bom grupo de, para mim, ilustres desconhecidos dão veracidade aos seus personagens, com destaque natural para Ezequiel Rodríguez e Demián Salomón como os irmãos.

O Pior do Filme: A ausência de cenas com o caos que, imaginamos, se instalou na vila.

O Melhor do Filme: A cena passada no teatro da escola, com as criancinhas, e a cena do cão a morder a menina.

Veredicto Final: Como fã que sou do sobrenatural, este é o tipo de filme de terror que eu gosto. A história é interessante e só tenho pena que não haja mais suspense. Mas é um filme forte e tenso, onde nem as criancinhas estão a salvo e onde paira a sombra do cinema de Lucio Fulci; é sujo, feio e peganhento!

Classificação: 7 (de 1 a 10)






Saturday, September 23, 2023

AS MATINÉS DO MEDO - PARTE 1: QUE DEMÓNIOS SE OCULTAM NA ESCURIDÃO (Who Slew Auntie Roo) de Curtis Harrington

Estavamos em Setembro de 1977, tinha então 13 anos de idade. As sessões de cinema da Cinemateca tinham lugar na sala de cinema do Palácio Foz, onde já tinha ido algumas vezes e onde iria mais vezes. Acho que posso dizer que foi nessa sala, bem como na televisão, que a minha educação cinéfila teve início. 

Nessa particular semana de Setembro, o ciclo de 5 dias 5 filmes era dedicado ao cinema de terror dos anos 70 e eu não podia faltar. Assim, religiosamente, dessa segunda a sexta lá estive eu, na matiné das 15.15.

Os filmes programados eram QUE DEMÓNIOS SE OCULTAM NA ESCURIDÃO (Who Slew Auntie Roo), COBRAS VENENOSAS (Sssssss), LUA VERMELHA (Asylum / House of Crazies), O ABOMINÁVEL DR. PHIBES (The Abominable Dr Phibes) e A LENDA DA CASA ASSOMBRADA (The Legendo of Hell House). E todos tiveram uma parte importante na minha paixão pelo género.

Esta minha crónica pelas matinés do medo, seguirá a ordem pela qual os filmes foram exibidos.

QUE DEMÓNIOS SE OCULTAM NA ESCURIDÃO (Who Slew Auntie Roo?) – GB/1972

Elenco: Shelley Winters, Mark Lester, Chloe Franks, Ralph Richardson, Lionel Jeffries, Hugh Griffith, Rosalie Crutchley • Argumento: Robert Blees e Jimmy Sansgter • Produção: Samuel Z. Arkoff • Realizador: Curtis Harrington.

A ideia que me ficou do filme, é que duas crianças acham que uma velhota é uma bruxa e temem pela sua vida, numa espécie de adaptação livre do conto “Hansel & Gretel” (por cá conhecido por “A Casinha de Chocolate”). Recordo-me que o ritmo era lento, mas havia algo de enervante e inquietante. Aqui vos deixo uma ideia do que se passa no filme. 

A simpática Auntie Roo vive numa velha e grande casa, onde todos os natais dá uma festa para as 10 crianças mais bem comportadas do orfanato local; mas ela ficou um pouco demente desde que a sua filha morreu e guarda o seu corpo mumificado no sótão. Christopher e sua irmã Katy não fazem parte das crianças selecionadas, mas conseguem infiltrar-se na festa de Natal e Auntie Roo repara que Katy é parecida com a sua filha e decidi raptá-la. Christopher tenta alertar os adultos para o que se passa, mas ninguém lhe dá ouvidos e ele volta sozinho para a casa a fim de salvar a sua irmã.

















Este filme segue uma tradição do terror, onde actrizes de idade avançada interpretavam mulheres cuja sanidade mental deixava muito a desejar. O mais conhecido é o WHAT EVER HAPPENED TO BABY JANE? com Bette Davis e Joan Crawford. Aqui é a grande Shelley Winters (então apenas com 52 anos) que dá vida a Auntie Roo e, pelo que me lembro, era bastante convincente. Para quem não conhece esta atriz, a mesma ganhou dois Óscars de Melhor Actriz Secundária, um por THE DIARY OF ANNE FRANK e por A PATCH OF BLUE e foi ainda nomeada por THE POSEIDON ADVENTURE e para Melhor Actriz pelo A PLACE IN THE SUN. Winters viria a fazer outro filme deste particularWinters viria a fazer outro filme deste particular género ao lado de Debbie Reynolds, WHAT’S THE MATTER WITH HELEN?. 

As crianças eram interpretadas pelos angelicais Mark Lester (que encantou o mundo como OLIVER!) e Chloe Franks, secundados por um grupo de veteranos ingleses.

Não sei se este filme sobrevive o teste do tempo, mas pelo menos nos anos 60/70 os produtores apostavam em histórias originais e o Cinema de Terror só tinha a ganhar com isso.









Sunday, September 17, 2023

MUITOS TERRORES, POUCOS MEDOS: SORRI, HALLOWEEN: O FINAL, WEREWOLF BY NIGHT E OUTROS

Talvez porque nos estamos a aproximar do Dia das Bruxas, os filmes de terror têm aparecido regularmente tanto nos cinemas como nos canais de streaming. Para os apaixonados do género como eu, é sempre uma boa altura para nos deliciarmos ou não com novos filmes, alguns são originais, outros sequelas ou prequelas e a inevitável remake. Dos oito que vi nas últimas semanas, só um é que me provocou calafrios e foi também o melhor deles, chama-se SORRI e dele falarei mais à frente. Como se costuma dizer, vou deixar o melhor para o fim.

Os que de que menos gostei, foram duas comédias sobrenaturais, TRÊS BRUXAS LOUCAS 2 e O EXORCISMO DA MINHA MELHOR AMIGA, e a prequela ORFÃ: A ORIGEM. Ambas as comédias pouca ou nenhuma graça têm. Na primeira pelo menos temos a Bette MIddler e um número musical de homenagem ao “Thriller” do Michael Jackson, mas a história é fraca e estas bruxas mereciam melhor. Já O EXORCISMO DA MINHA MELHOR AMIGA, é um falhanço completo, irritante e chato; a ideia até que tinha potencial, mas não a souberam explorar; bem, na verdade é um filme para adolescentes, podem ser que eles gostem. Por fim a ORFÃ está de volta sem o segredo que dava graça ao primeiro filme, mas com um twist interessante que podia ter sido mais bem aproveitado. A sequência de abertura é descartável e arruína a premissa do filme, de que a nova família seria a primeira vítima da “querida” sinistra Esther.

O EXORCISMO DA MINHA MELHOR AMIGA (My Best friend’s Exorcism) de Damon Thomas - Classificação: 1 (de 1 a 10)

ORFÃ: A ORIGEM (Orphan: First Kill) de William Brent Bell - Classificação: 3 (de 1 a 10)

TRÊS BRUXAS LOUCAS 2 (Hocus Pocus 2) de Anne Fletcher - Classificação: 3 (de 1 a 10)











HALLOWEEN: O FINAL (Halloween Ends) de David Gordon Green

Aquela que promete ser a última sequela do HALLOWEEN, tem em Jamie Lee Curtis a sua mais-valia e, sem querer revelar nada, não me chateou as “liberdades” tomadas pelos seus criadores. 

Infelizmente o suspense é nulo e o que podia ser um mistério, não o é. 

O futuro dirá se haverá mais sequelas, mas gostava de ver alguém pegar na ideia do HALLOWEEN III e criar novos filmes nessa linha. 

Classificação: 5 (de 1 a 10)
















WEREWOLF BY NIGHT de Michael Giacchino

Da Marvel chegou-nos uma nostálgica homenagem aos filmes de terror da Universal, WEREWOLF BY NIGHT, neste caso particular ao lobisomem. 

Filmado em glorioso preto-e-branco e com um bom elenco, peca por não explorar os seus personagens e pela completa ausência de suspense. 

Esperava mais da transformação deste novo lobisomem e dispensava os seus saltos tipo super-herói... esperem, isto é Marvel, está tudo dito!  

Classificação: 4 (de 1 a 10)











BOA NOITE, MAMÃ! (Goodnight Mommy) de Matt Sobel

Confesso que não vi o original GOODNIGHT MOMMY e talvez por isso tenha ficado agradavelmente surpreendido com a remake americana. 

Mesmo sem ter visto o original, a história de gémeos que acreditam que a sua mãe foi substituída por uma dupla é previsível, mas segue-se com interesse e o elenco agarra bem os personagens. Recomendo!

Classificação: 6 (de 1 a 10)

O TELEFONE DE MR. HARRIGAN (Mr. Harrigan’s Phone) de John Lee Hancock

Outro filme que me agradou, é mais drama do que terror, mas tem o seu quê de sobrenatural e é baseado num conto de Stephen King. 

Estou a falar de O TELEFONE DE MR. HARRIGAN, onde um jovem consegue contactar com o falecido Sr. Harrigan pelo seu telefone. Donald Sutherland está em boa forma e Jaeden Martell facilmente capta a nossa simpatia.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

SORRI (Smile) de Parker Finn

Para terminar volto ao SORRI, onde uma jovem médica se vê assombrada por uma entidade com um sorriso capaz de causar calafrios e entra numa espiral de loucura. Finalmente um bom filme de terror, que assusta, mete medo, tem suspense e personagens que desejamos que sobrevivam. 

É o filme de estreia do realizador Parker Finn e mal posso esperar pelos seus próximos trabalhos. Tendo em conta o dinheiro que está a fazer nos Estados Unidos, acredito que não faltará uma sequela; por mim deixava a coisa ficar por aqui. Recomendado a todos os fãs do género!

Classificação: 8 (de 1 a 10)




Monday, April 16, 2018

A MALDIÇÃO DA CASA WINCHESTER (Winchester) de Michael e Peter Spierig

A História:O Dr. Eric Price é contratado para avaliar o estado psicológico da viúva Sarah Winchester. Para isso tem que ir passar uns dias à sua mansão, onde Sarah afirma que manda acrescentar divisões conforme estas são solicitadas pelos espíritos das pessoas que foram mortas com armas Winchester.

O Filme:Quem me conhece sabe que adoro filmes de casas assombradas e sou grande fã de THE OLD DARK HOUSE de James Whale, THE HAUNTING de Robert Wise, THE LEGEND OF HELL HOUSE de John Hough e, mais recentemente, CRIMSON PEAK de Guillermo del Toro. 
Este filme dos irmãos Spierig, apesar de inspirado em factos reais, não está ao nível de nenhum desses títulos. O melhor é o ambiente claustrofóbico que eles conseguem dar ao filme e alguns sustos que nos pregam pelo caminho, mas não há arrepios e o suspense não é eficaz. O maior problema é que, perto do clímax, os efeitos especiais começam a sobrepor-se à atmosfera, tirando-lhe credibilidade. É uma pena que o lado labiríntico da mansão não tenha sido mais bem explorado e a última cena do filme é completamente desnecessária.
Helen Mirren vai bem como a viúva Winchester, mas senti que o seu enorme talento está mal aproveitado. No papel do psiquiatra, Jason Clarke falhou em criar empatia comigo e o mesmo posso dizer de Sarah Snook como a sobrinha da viúva, para já não falar do muito pouco convincente Finn Scicluna-O’Prey como o seu filho.
Não sei o quão perto da verdade estão os acontecimentos narrados no filme, mas uma coisa sei, eu nunca iria passar uma noite numa casa destas. Eu teria medo, muito medo!

Classificação: 5 (de 1 a 10)



Thursday, November 9, 2017

SETE IRMÃS (What Happened to Monday? / Seven Sisters) de Tommy Wirkola

A História: Num futuro não muito longínquo, os casais só podem ter um filho. Quando a sua filha morre ao dar à luz sete miúdas, Terrence decide escondê-las do mundo, só autorizando uma a sair de casa de cada vez. Um dia, agora já umas mulherzinhas, uma delas falha em regressar a casa e cabe às outras descobrir o que lhe aconteceu.

Os Actores: Noomi Rapace, a Lisbeth Salander do original MILLENNIUM, dá a vida a sete personagens diferentes e não me convenceu com nenhuma, prejudicando assim todo o filme. Talvez um melhor director de actrizes a pudesse ter ajudado, mas não é esse o caso e o resultado é, por vezes, mau. A seu lado, uma mal aproveitada Glenn Close é a má da fita. Como o avó das 7 irmãs, William Dafoe também é um talento desperdiçado.

O Filme: A história é interessante, tem potencial e foca um problema real, a sobrelotação do planeta Terra. Infelizmente, apesar dos bons valores de produção, a acção arrasta-se sem emoção ou qualquer tipo de suspense. A única coisa boa do filme é pensar como é que eles terão feito as cenas em que as diversas irmãs contracenam umas com as outras; sem dúvida um excelente trabalho de montagem e efeitos especiais. O cinema de ficção-científica fica mal servido com esta pobre realização de Tommy Wirkola.

Classificação: 2 (de 1 a 10)







Saturday, July 22, 2017

PLANETA DOS MACACOS: A GUERRA (War for the Planet of the Apes) de Matt Reeves

A História: Caesar tenta levar a sua raça para um lugar seguro, mas quando The Colonel, um militar humano, assassina a sua mulher e filho, ele deixa vir ao de cima o seu lado vingativo e declara guerra ao Colonel e às suas tropas.

Os Actores: É verdade, Woody Harrelson tem um excelente desempenho como The Colonel, a pequena Amiah Miller convence como a muda Nova e Gabriel Chavarria vai bem como o confuso Preacher. Mas nenhuma interpretação dos humanos se compara à dos macacos. É impressionante o quão expressivos e humanos eles são e como Caesar, Andy Serkis é simplesmente fantástico. E o que dizer da fantástica Karin Konoval como Maurice ou do divertido Steve Zahn como Bad Ape? Qualquer um deles conquistou a minha simpatia. É incrível a empatia que estes “macacos” conseguem criar connosco espectadores, ou pelo menos comigo.

O Filme: Adorei o capítulo anterior, DAWN OF THE PLANET OF THE APES, e este não lhe fica muito atrás. Peca por ser às vezes um pouco lamechas de mais e tem muitos momentos mortos, mas no todo é um épico de guerra e ficção científica. Mas é também um filme emotivo sobre a família e o que estamos dispostos a fazer pelo bem-estar dos nossos. O realizador/argumentista Matt Reeves humaniza os macacos de forma incrível, ao mesmo que faz de nós humanos uns grandes sacanas, que só pensamos no poder e pouco mais. Para os fãs do original de 1968, o aparecimento dos personagens Nova e Cornelius carrega consigo uma grande carga de nostalgia e senti um certo conforto com a sua presença. Os efeitos especiais são inacreditáveis e o resultado final é um verdadeiro épico como há muito não via. Dei muitas vezes por mim a pensar em filmes bíblicos como OS 10 MANDAMENTOS. Para mim, é um dos grandes filmes deste ano e acredito que tem chances de ser um dos nomeados ao Óscar de melhor filme, entre outros. A não perder!

Classificação: 8 (de 1 a 10)