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Saturday, September 23, 2023

AS MATINÉS DO MEDO - PARTE 1: QUE DEMÓNIOS SE OCULTAM NA ESCURIDÃO (Who Slew Auntie Roo) de Curtis Harrington

Estavamos em Setembro de 1977, tinha então 13 anos de idade. As sessões de cinema da Cinemateca tinham lugar na sala de cinema do Palácio Foz, onde já tinha ido algumas vezes e onde iria mais vezes. Acho que posso dizer que foi nessa sala, bem como na televisão, que a minha educação cinéfila teve início. 

Nessa particular semana de Setembro, o ciclo de 5 dias 5 filmes era dedicado ao cinema de terror dos anos 70 e eu não podia faltar. Assim, religiosamente, dessa segunda a sexta lá estive eu, na matiné das 15.15.

Os filmes programados eram QUE DEMÓNIOS SE OCULTAM NA ESCURIDÃO (Who Slew Auntie Roo), COBRAS VENENOSAS (Sssssss), LUA VERMELHA (Asylum / House of Crazies), O ABOMINÁVEL DR. PHIBES (The Abominable Dr Phibes) e A LENDA DA CASA ASSOMBRADA (The Legendo of Hell House). E todos tiveram uma parte importante na minha paixão pelo género.

Esta minha crónica pelas matinés do medo, seguirá a ordem pela qual os filmes foram exibidos.

QUE DEMÓNIOS SE OCULTAM NA ESCURIDÃO (Who Slew Auntie Roo?) – GB/1972

Elenco: Shelley Winters, Mark Lester, Chloe Franks, Ralph Richardson, Lionel Jeffries, Hugh Griffith, Rosalie Crutchley • Argumento: Robert Blees e Jimmy Sansgter • Produção: Samuel Z. Arkoff • Realizador: Curtis Harrington.

A ideia que me ficou do filme, é que duas crianças acham que uma velhota é uma bruxa e temem pela sua vida, numa espécie de adaptação livre do conto “Hansel & Gretel” (por cá conhecido por “A Casinha de Chocolate”). Recordo-me que o ritmo era lento, mas havia algo de enervante e inquietante. Aqui vos deixo uma ideia do que se passa no filme. 

A simpática Auntie Roo vive numa velha e grande casa, onde todos os natais dá uma festa para as 10 crianças mais bem comportadas do orfanato local; mas ela ficou um pouco demente desde que a sua filha morreu e guarda o seu corpo mumificado no sótão. Christopher e sua irmã Katy não fazem parte das crianças selecionadas, mas conseguem infiltrar-se na festa de Natal e Auntie Roo repara que Katy é parecida com a sua filha e decidi raptá-la. Christopher tenta alertar os adultos para o que se passa, mas ninguém lhe dá ouvidos e ele volta sozinho para a casa a fim de salvar a sua irmã.

















Este filme segue uma tradição do terror, onde actrizes de idade avançada interpretavam mulheres cuja sanidade mental deixava muito a desejar. O mais conhecido é o WHAT EVER HAPPENED TO BABY JANE? com Bette Davis e Joan Crawford. Aqui é a grande Shelley Winters (então apenas com 52 anos) que dá vida a Auntie Roo e, pelo que me lembro, era bastante convincente. Para quem não conhece esta atriz, a mesma ganhou dois Óscars de Melhor Actriz Secundária, um por THE DIARY OF ANNE FRANK e por A PATCH OF BLUE e foi ainda nomeada por THE POSEIDON ADVENTURE e para Melhor Actriz pelo A PLACE IN THE SUN. Winters viria a fazer outro filme deste particularWinters viria a fazer outro filme deste particular género ao lado de Debbie Reynolds, WHAT’S THE MATTER WITH HELEN?. 

As crianças eram interpretadas pelos angelicais Mark Lester (que encantou o mundo como OLIVER!) e Chloe Franks, secundados por um grupo de veteranos ingleses.

Não sei se este filme sobrevive o teste do tempo, mas pelo menos nos anos 60/70 os produtores apostavam em histórias originais e o Cinema de Terror só tinha a ganhar com isso.









Monday, May 7, 2018

UM LUGAR SILENCIOSO (A Quiet Place) de John Krasinski

A História:Por razões que não nos são reveladas, umas estranhas criaturas vivem no nosso planeta e caçam as suas presas através de qualquer som que estas emitam. Uma família vê-se assim obrigada em viver em silêncio de forma a sobrevirem ao apetite voraz dessas criaturas.

O Filme:Há uns anos atrás li um livro chamado THE SILENCE de Tim Lebbon (que descobri que foi recentemente adaptado ao cinema por John R. Leonetti, o realizador do ANNABELLE), onde sem querer uma raça de animais alados são libertados de umas velhas cavernas e atacam e devoram tudo o que emita som. No livro uma família, que tem uma filha muda, é obrigada a viver em silêncio para poder sobreviver.
As semelhanças são muitas, certo? Curiosamente, no presente filme, não vi qualquer referência ao livro no genérico, mas tenha sérias dúvidas que o seu realizador/argumentista, John Krasisnki, não tenha sido inspirado pelo mesmo. Não que isso diminua as muitas qualidades deste filme, mas para mim o conceito não é novo.
Esta pequena produção é um dos melhores filmes de terror que tenho visto nos últimos anos. Krasinski consegue, com uma grande economia de meios, criar um ambiente de tensão que nos prende à cadeira do princípio ao fim, com um pequeno grupo de personagens bem construídos e pelos quais sentimos empatia. Sempre disse que um bom filme de terror precisa de ter personagens credíveis, uma boa história, suspense e atmosfera; tudo o resto, gore e grandes efeitos especiais, é secundário. O grande sucesso deste filme prova que esta receita é eficaz.
Emily Blunt é excelente como a mãe de família; a sua cena do parto é de antologia e adorei o seu olhar no final do filme. John Krasinski é convincente e amoroso como o pai de família e Millicent Simmonds e Noah Jupe são excelentes como os seus filhos. Quanto às criaturas, a fazerem lembrar o monstro da série STRANGER THINGS, são assustadoras e muito realistas.
Os amantes de emoções fortes não devem perder e os fãs do género que adoram sangue e tripas abram os vossos horizontes e percebam que um bom filme do género é um que nos assusta e inquieta e não um que nos possa enojar. Um dos filmes do ano!

Classificação: 8 (de 1 a 10)